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Jeg, o jipe brasileiro derivado da VW Kombi que tentou ser militar

O valente utilitário nasceu na engenharia da Volkswagen, mas só chegou às ruas por iniciativa de uma antiga transportadora de veículos

Por Felipe Bitu Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 3 abr 2026, 13h37
DACUNHA JEG
DNA Volkswagen: é inegável a semelhança com o jipe 181/Safari (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Realizada em novembro de 1976, a 10ª edição do Salão do Automóvel foi marcada por novidades como Chevette Envemo, GT Malzoni, Concorde, Bianco, Adamo e Lafer LL. Dois utilitários chamaram a atenção do público: um protótipo militar no estande da Volkswagen e o Jeg, jipe civil apresentado pela ABC Diesel Veículos e Mecânica Ltda. (Dacunha).

Quase 50 anos se passaram e poucos sabem a relação entre esses dois veículos. O jipe da Volkswagen era o VEMP (Veículo Militar Protótipo), inspirado no VW Tipo 181/Safari e destinado a participar de licitações das Forças Armadas, que buscavam um sucessor à altura do tradicionalíssimo Jeep.

“Apenas dois protótipos foram construídos”, conta o projetista Guenter Hix, da Volkswagen. “Foram desenvolvidos a partir do chassi encurtado da Kombi, um com tração 4×2 e outro 4×4. Parceira de longa data da VW, a transportadora Dacunha foi um dos fornecedores cotados durante os estudos de viabilidade do VEMP.”

DACUNHA JEG
Chassi da Kombi foi encurtado em 40 cm (Fernando Pires/Quatro Rodas)

A iniciativa da VW não prosperou devido ao desinteresse das Forças Armadas, que deixaram de aceitar utilitários com motor traseiro. A Dacunha, porém, considerou a demanda no mercado civil – dominado pelo Jeep e pelo Gurgel Xavante – e, após o sucesso do Jeg no Salão, decidiu iniciar sua produção por meio da ABC Diesel.

Produzido com chapas de aço dobradas, o Jeg parecia ter sido desenhado com régua e esquadro. O objetivo era facilitar eventuais reparos com recursos escassos, situação comum no meio militar e rural. “No início, a carroceria do Jeg era separada do chassi, mas depois passou a ser soldada como um monobloco”, conta o especialista e colecionador Lauro Filippetti.

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DACUNHA JEG
Carroceria era feita com chapas de aço dobradas (Fernando Pires/Quatro Rodas)

Avaliado pela primeira vez por QUATRO RODAS em julho de 1977 (edição 204), o Jeg impressionou pela robustez e pela capacidade de transportar cinco pessoas com relativo conforto graças às suspensões recalibradas e aos gordos pneus 7,35 x 15. Tal conforto era mantido mesmo em estradas sem pavimentação e os 30 cm de altura livre a partir do solo facilitavam a transposição de obstáculos.

O primeiro teste completo foi realizado em março de 1978 (QR 212): os 58 cv do motor VW refrigerado a ar garantiam boa dirigibilidade, impulsionando seus 934 kg com relativa vivacidade por estradas sem pavimentação. Oferecida como opcional, a dupla carburação melhorava o rendimento do motor.

DACUNHA JEG
A ergonomia era outro ponto forte: comandos bem posicionados favoreciam a dirigibilidade (Fernando Pires/Quatro Rodas)
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Entretanto, o rendimento era penalizado pelo sistema de eixo portal, o mesmo utilizado na Kombi. Os semieixos eram deslocados para cima do centro do cubo das rodas traseiras, com a força multiplicada às rodas por um par de engrenagens. Com isso, a vantagem no fora de estrada cobrava seu preço nos trechos pavimentados.

O consumo médio foi de 7,94 km/l de gasolina. A aceleração de 0 a 80 km/h era realizada em 17,82 segundos, mas o Jeg levava mais de 1 minuto para alcançar os 100 km/h.

No comparativo com o Jeep e o Gurgel X-12 (evolução do Xavante), na edição 217, o Jeg se destacou pelo espaço, pelo conforto de rodagem e, principalmente, pela ergonomia.

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DACUNHA JEG
(Fernando Pires/Quatro Rodas)
DACUNHA JEG
Plataforma da Kombi garantiu notável espaço interno; Jeg era o utilitário mais confortável do mercado (Fernando Pires/Quatro Rodas)

O Jeg chegou ao mercado europeu no final da década de 1970, pouco antes da apresentação da versão 4×4. Ciente das limitações da tração apenas traseira, a Dacunha desenvolveu um sistema de tração acionada por uma caixa de transferência.

O Jeg 4×4 foi avaliado pelas Forças Armadas da Alemanha Ocidental, mas a negociação não prosperou. Sem demanda interna ou externa, a Dacunha encerrou a produção do Jeg em 1981. Ninguém sabe ao certo o número total de unidades produzidas e as poucas informações conhecidas foram reunidas por colecionadores e entusiastas do modelo.

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Ficha Técnica – Dacunha Jeg 1979

Motor: longitudinal, 4 cilindros opostos, 1.584 cm3, alimentado por carburador de corpo duplo Potência: 58 cv a 4.400 rpm; torque 11,2 kgfm a 2.600 rpm
Câmbio: manual de 4 marchas, tração traseira;
carroceria aberta, 2 portas, 5 lugares
Dimensões: comprimento, 330 cm; largura, 144,5 cm; altura, 170 cm; entre-eixos, 200 cm; peso, 934 kg;
Pneus, 7,35 x 15

Teste

QR 0212
(Reprodução/Quatro Rodas)

Março de 1978
ACELERAÇÃO 0 a 100 km/h, 60,57 s
Velocidade máxima: 101,69 km/h
Consumo: 7,94 km/l (média)
Preço: Cr$ 82.117 (Fev/78)
Atualizado: R$ 129.133 (IPG-DI/FGV)

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