Dia do Automóvel: Revista em Casa por 9,90

Reciclagem de baterias de carros elétricos no Brasil já é possível em usina da Tupy

Empresa brasileira inicia estudos a nível industrial e já é capaz de reciclar 400 toneladas de baterias por ano

Por João Vitor Ferreira 17 abr 2026, 13h10
planta piloto tupy reciclagem de baterias
 (Tupy/Divulgação)
Continua após publicidade

O Brasil dá o primeiro passo na reciclagem de baterias. A Tupy, multinacional brasileira do ramo da metalurgia, está inaugurando uma planta-piloto focada em reciclar diferentes tipos de baterias, o que inclui as de carros elétricos e híbridos.

Localizada no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) da USP, em São Paulo, a planta-piloto tem capacidade de reciclar até 400 toneladas de baterias por ano. A unidade funciona como um laboratório em nível industrial. O objetivo é realizar testes para entender a viabilidade dos processos em fábricas maiores. A meta é aumentar a capacidade de reciclagem até 2028, com a entrega de um projeto para 10.000 toneladas anuais.

Planta-piloto de reciclagem de baterias Tupy
Baterias de todos os tipos, incluindo de veículos eletrificados, são doadas por diferentes empresas (João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)

“Estamos construindo uma base tecnológica sólida para a economia circular no Brasil. A planta-piloto é um passo estratégico que reafirma a consolidação da Tupy como referência em soluções sustentáveis e inovadoras para a indústria”, destaca André Ferrarese, diretor de Pesquisa & Desenvolvimento da Tupy.

O projeto instalado no IPT recebeu investimentos de R$ 45 milhões até o momento, divididos entre aportes da Tupy e de parceiros estratégicos.

Como se recicla uma bateria?

O projeto da Tupy trabalha com baterias feitas com os chamados “minérios críticos” (lítio, cobalto, manganês e níquel), como as LFP (lítio-ferro-fosfato) e NMC (níquel-manganês-cobalto), comumente usadas em veículos eletrificados. Além delas, baterias de celulares, equipamentos eletrônicos e sistemas estacionários de armazenamento de energia também são recicladas no processo.

Continua após a publicidade
Planta-piloto de reciclagem de baterias Tupy
Nessa pequena sala as baterias são descarregadas e desmontadas antes de irem para o moedor (João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)

As baterias chegam por meio de doações de empresas, como montadoras e marcas do setor de eletrônicos. O primeiro passo é o descarregamento total, chamado popularmente de “matar” a bateria. O processo ocorre em três níveis.

Para “matar” a bateria, primeiro ela passa por um descarregamento. Depois, começa a ser desmontada, separando todos os módulos, que passam por mais um descarregamento. Então, cada módulo é desmontado, separando célula por célula, que são descarregadas individualmente.

Planta-piloto de reciclagem de baterias Tupy
Baterias são moídas no triturador (ao fundo) e começam o processo de separação de materiais para extrair a “black mass” (João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)
Continua após a publicidade

Sem riscos de choques elétricos, todo o material segue para um triturador, para depois começar o primeiro processo de separação das baterias. Por meio de peneiração e aplicação de solventes, separam-se plástico, ferro, alumínio e outros materiais presentes nas baterias, até sobrar a “black mass” (massa preta, em tradução livre).

Planta-piloto de reciclagem de baterias Tupy
Peneira usada para a separação dos resíduos (João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)
Planta-piloto de reciclagem de baterias Tupy
Ferro alumínio e plástico separados após o processo de separação (João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)

A black mass é um pó preto, onde os minérios críticos estão misturados com grafite. Alguns centros de reciclagem de baterias existentes no mundo param por aí, uma vez que a black mass é vendida por aproximadamente 500 dólares a tonelada. Mas é possível ir além.

Continua após a publicidade
Planta-piloto de reciclagem de baterias Tupy
A black mass é esse pó preto, uma mistura de minérios críticos com grafite (João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)

Na planta-piloto da Tupy, a black mass produzida segue para um processo de hidrometalurgia, que é a separação dos minerais críticos em soluções líquidas. Diferentes tanques são responsáveis por separar cada um dos materiais e, ao final do processo, lítio, manganês, cobalto, níquel e grafite estão devidamente separados.

O Brasil poderá fabricar novas baterias?

A partir daqui, a Tupy analisa as possibilidades do que fazer com os minérios críticos. No mercado, eles podem ser vendidos por valores acima de 3.000 dólares a tonelada. Há também a possibilidade de utilizá-los para a fabricação de novas baterias.

Continua após a publicidade

Para isso, os minérios precisam passar por um processo de purificação, para atingir a pureza “grau bateria” de 99,9%. A vantagem é que é mais fácil fazer isso com os minérios reciclados do que com os extraídos por mineradoras.

Planta-piloto de reciclagem de baterias Tupy
O black mass passa por um processo de hidrometalurgia onde todos os seus componentes são extraídos com grau de pureza acima de 90% (João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)

Na reciclagem feita pela Tupy, todos os componentes são extraídos com grau acima de 90% de pureza. É um número variável, que depende muito, especialmente, da condição em que as baterias chegam à empresa. Nas mineradoras, eles são extraídos com cerca de 60% a 70% de pureza.

planta piloto tupy reciclagem de baterias
(Tupy/Divulgação)
Continua após a publicidade

Apesar de a planta-piloto não realizar esse processo, Luciana Gobo, coordenadora do projeto, explica o que precisa ser feito para que os minérios sejam usados na produção de novas baterias. “Depois da purificação, é feito o ‘slurry’: é como se fosse uma tinta que cobre os cátodos e mistura todos os materiais.”

Planta-piloto de reciclagem de baterias Tupy
Lítio (branco), manganês (preto), cobalto (rosa) e níquel (verde) separados após o processo de hidrometalurgia (João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)
Planta-piloto de reciclagem de baterias Tupy
(João Vitor Ferreira/Quatro Rodas)

A coordenadora também explica que, na indústria, esses processos são fragmentados. Uma empresa recicla, outra compra os minérios e faz o slurry, que é vendido para quem produzirá as células e montará a bateria.

Por enquanto, a Tupy estuda técnicas de purificação em laboratório, que posteriormente podem ser testadas em nível industrial na planta-piloto. Para a empresa, os estudos representam um passo importante para desenvolver a indústria nacional e reduzir a dependência de importações e, principalmente, da mineração.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Carro SUV preto em estrada sinuosa com montanhas e vegetação ao fundo, sob céu alaranjado de pôr do sol. No canto superior direito, uma capa de revista com o título Carro SUV cinza escuro em estrada, com montanhas e vegetação ao fundo. No canto superior direito, logo da Quatro Rodas e outros carros.
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

Apaixonado por carros? Então isso é pra você!
Pare de dirigir no escuro: com a Quatro Rodas Digital você tem, na palma da mão, testes exclusivos,comparativos, lançamentos e segredos da indústria automotiva.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Quatro Rodas impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Completo
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).